Seria um dia qualquer, não fosse o nascimento de uma linda garota, a qual puseram o nome de Vitória e, ela cresceu rapidamente, foi para a escola. Tinha exatamente cinco anos. Seu primeiro dia de aula, ficou feliz.
Chegando em casa, toda esbaforida, contando para os pais as novidades do dia...Mas à noite Vitória adoecera, foi levada apressadamente para o melhor hospital da cidade. Era uma doença contagiosa ficando a menina isolada num quarto sem visitas.Às vezes chorava, pois estava consciente do seu estado terminal.
Não demorou muito tempo, a morte entrou pela janela do quarto e lhe disse: vim buscá-la. A garota começou a clamar: tende piedade de mim, quero ser pediatra e cuidar das crianças pobres sem cobrar nada. A morte condoída com a sua intenção foi embora. Subitamente ela sarou, teve alta para a felicidade dos pais.
Cresceu uma linda jovem, entrou na faculdade, formou-se em pediatria, começando, então, a fazer residência em pequenos hospitais, não queria ganhar nada, só se aperfeiçoar para cuidar das crianças de todos os tipos, raças e cores.Vitória viajou para a África e, numa comunidade pobre cuidava de todas as crianças, fora os alimentos que ela levava, pois seu pai era milionário de bom coração.
Numa noite estirada numa esteira num barraco pobre, a bela Vitoria ia dormir, ei que de repente a morte chegou novamente para buscá-la e ela ajoelhada à frente dela pediu: Não posso morrer, pois quero namorar e me casar, ter meus lindos filhos e, a morte já meio raivosa disse: voltarei em outra ocasião.
Vitória namorou, amou muito e casou-se com um lindo jovem e teve trigêmeos: um menino e duas meninas que foram crescendo, já estavam em idade de se casarem, quando a morte chegou para Vitória, outra vez e ela amedrontada disse-lhe: Não posso ir, quero ver minhas filhas casarem, terem seus filhos e beijar os meus netos...a morte cansada saindo da casa dizendo: eu voltarei. Os netos cresceram, ficaram lindos jovens, namoraram, tiveram um filho cada um, ganhou três bisnetas e, a morte chegou: agora vou levá-la sem piedade e Vitoria clamou: me dê um tempo quero conhecer meus tataranetos. A morte já estava meio desnorteada foi embora e o tempo passou, ficando velhinha debilitada e, já não tendo mais sentido na vida adoeceu, foi internada em um hospital, eis que a morte chega: Agora a levo, me enganou até seus noventa e seis anos e Vitória disse: pode me levar, vou encontrar meu marido n'outro plano espiritual, fechou os olhos e morreu.
Enfim, a inteligente Vitória driblou a morte e morreu velhinha e feliz.